Orações para crianças: antes de dormir, na refeição e para o medo
Orações curtas em linguagem simples para os três momentos em que a criança mais reza, com o texto bíblico que está por trás e o que responder quando a oração parece não ser atendida.
Por Helena Vasques · Professora de introdução bíblica, licenciada em Letras · Revisado por Tiago Monteiro
Publicado em · Atualizado em
Em resumo
- Uma oração infantil que funciona tem de duas a quatro linhas, palavras do dia a dia e sempre a mesma estrutura, para que a criança consiga repetir sozinha.
- Os três momentos em que a criança mais reza são antes de dormir, antes da refeição e quando está com medo.
- O Pai Nosso, em Mateus 6:9-13, costuma ser memorizado por partes a partir dos seis anos, e não de uma vez.
- Salmos 4:8 e Salmos 56:3 são os dois versículos mais curtos para acompanhar oração de sono e de medo.
- Prometer que a oração será atendida do jeito pedido é o erro mais comum e o que mais machuca depois.
Neste artigo
Criança reza em três momentos, principalmente: antes de dormir, antes de comer e quando está com medo. Uma oração infantil funciona quando tem de duas a quatro linhas, palavras do dia a dia e a mesma estrutura todas as vezes — é a repetição que faz a criança conseguir rezar sozinha. Abaixo estão orações curtas para cada momento, o texto bíblico que está por trás e a conversa mais difícil de todas, que é o que dizer quando o pedido não acontece.
Antes de dormir
A oração da noite costuma ser a primeira que a criança aprende, porque acontece sempre no mesmo horário e no mesmo lugar. Duas versões, para idades diferentes:
A partir dos 3 anos
Obrigado, Deus, por hoje. Cuida de mim enquanto eu durmo. Cuida do papai, da mamãe e de quem eu amo. Amém.
A partir dos 7 anos
Deus, obrigado pelo que foi bom hoje. Me ajuda com o que não foi. Cuida de quem eu amo e de quem está sozinho. Me dá um sono tranquilo até amanhã. Amém.
O versículo que acompanha bem esse momento:
Eu deitarei, e dormirei em paz; porque só tu, SENHOR, me fazes descansar seguro. (Salmos 4:8)
Uma variação que ajuda em noites agitadas: em vez da oração pronta, peça três coisas do dia — uma boa, uma difícil e uma pela qual agradecer. Crianças de seis a dez anos costumam gostar mais desse formato do que do texto fixo.
Antes da refeição
A oração da mesa é a mais curta de todas e a mais fácil de virar hábito, porque acontece três vezes por dia.
A partir dos 3 anos
Obrigado, Deus, por esta comida e por quem preparou ela. Amém.
A partir dos 7 anos
Deus, obrigado por esta comida, por quem plantou, por quem trouxe e por quem cozinhou. Lembra de quem hoje não tem o que comer. Amém.
O texto por trás dessa prática é curto:
Agradecei em tudo, pois essa é a vontade de Deus em Cristo Jesus para vós mesmos. (1 Tessalonicenses 5:18)
Para o medo
Esta é a oração que mais importa acertar, porque é a que a criança usa sozinha, no escuro, sem o adulto do lado.
A partir dos 4 anos
Deus, eu estou com medo. Fica aqui comigo. Eu não estou sozinho. Amém.
A partir dos 8 anos
Deus, eu estou com medo de [a criança diz do quê]. Eu sei que você está comigo mesmo quando eu não sinto. Me ajuda a ficar calmo e a dormir. Amém.
Dois versículos curtos acompanham bem, e os dois estão em salmos que podem ser lidos inteiros com a criança maior — Salmos 56 e Salmos 34:
No dia em que eu tiver medo, eu confiarei em ti. (Salmos 56:3)
Busquei ao SENHOR. Ele me respondeu, e me livrou de todos os meus temores. (Salmos 34:4)
Repare que a primeira frase da oração infantil de medo admite o medo. Isso é deliberado: uma oração que começa com "eu não tenho medo" ensina a criança a mentir na oração.
Versículo do dia
Comece o dia com um versículo e leve-o com você
Um versículo escolhido para hoje, com a leitura completa do capítulo, uma reflexão curta e a imagem pronta para compartilhar.
- Texto bíblico completo
- Imagem para compartilhar
- Grátis, sem cadastro
O Pai Nosso
É a oração que Jesus ensinou e a mais usada em todas as tradições cristãs. Ela está em Mateus 6:
Vós, portanto, orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra, assim como no céu. O pão nosso de cada dia nos dá hoje. E perdoa-nos nossas dívidas, assim como nós também perdoamos aos nossos devedores. E não nos conduzas à tentação, mas livra-nos do mal; porque teu é o Reino, o poder, e a glória, para sempre, Amém. (Mateus 6:9-13)
Crianças costumam decorar essa oração por blocos, a partir dos seis anos, e não de uma vez. Duas palavras precisam de tradução na hora: "santificado" (que quer dizer separado, especial, respeitado) e "dívidas" (que aqui quer dizer o que a gente deve por ter errado). A explicação linha por linha, para adultos, está no Pai Nosso explicado, no site irmão.
Como sair da oração decorada para a oração própria
Por volta dos sete ou oito anos, a oração pronta começa a soar automática, e é aí que muita criança para de rezar — não por descrença, mas por tédio. A passagem para a oração com palavras próprias funciona melhor com uma estrutura simples de três partes, sempre na mesma ordem:
- Obrigado por… uma coisa do dia.
- Me ajuda com… uma coisa que foi difícil.
- Cuida de… uma pessoa.
A criança preenche as três lacunas em voz alta. Nas primeiras vezes, o adulto faz junto e vai primeiro, para dar o exemplo do tamanho: uma frase por item, não um discurso. Depois de algumas semanas, a maioria das crianças já dispensa a estrutura.
Duas coisas atrapalham essa transição. A primeira é corrigir a oração da criança — o conteúdo, a palavra escolhida, o pedido considerado bobo. Um pedido pelo cachorro do vizinho é um pedido. A segunda é transformar o momento em avaliação: perguntar se ela rezou, cobrar, comparar com o irmão. Oração cobrada vira tarefa, e tarefa é o que a criança abandona primeiro.
A parte difícil: quando a oração não é atendida
Esta é a conversa que decide se a criança vai continuar rezando aos quinze anos. Ela chega em um dia específico: o cachorro morreu, a avó não melhorou, os pais se separaram mesmo assim.
O que é honesto dizer:
- Que a oração não é um pedido que obriga Deus a fazer o que se pediu. Rezar não é apertar um botão.
- Que a tristeza pela resposta que não veio é legítima e pode ser dita em oração. Boa parte dos Salmos é exatamente isso: reclamação dirigida a Deus.
- Que o adulto também não sabe por quê. "Eu também não entendo" é uma das frases mais valiosas que uma criança pode ouvir nesse momento.
O que é mentira contar:
- Que se a criança tivesse mais fé teria dado certo. Isso transfere para ela a culpa por um resultado que não estava nas mãos dela.
- Que Deus quis assim porque era melhor. Pode ser uma convicção adulta legítima, mas dita a uma criança de oito anos no dia da perda, funciona como cala-boca.
- Que "vai dar certo" quando já não deu.
Nenhuma tradição cristã ensina que a oração é garantia de resultado. Este site também não apresenta assim: a oração aparece aqui como relação e não como método de obter coisas.
Onde continuar
Textos completos de orações para vários momentos estão no site irmão: oração da noite para crianças, oração antes das refeições, oração contra o medo e oração pelos filhos, para quem reza pela criança.
Aqui no site, os versículos curtos citados acima aparecem organizados por faixa etária em versículos para crianças, e o capítulo do Pai Nosso pode ser lido inteiro em Mateus 6. Para a conversa sobre como ensinar tudo isso sem transformar em obrigação, veja como ensinar a Bíblia para crianças.
Se o medo da criança for constante, atrapalhar o sono por semanas ou vier junto de choro persistente e recusa de ir à escola, vale procurar orientação de um pediatra ou de um psicólogo infantil. Oração e acompanhamento profissional não competem entre si, e este texto não substitui avaliação clínica.
Fontes
Perguntas frequentes
Com que idade a criança começa a rezar sozinha?
Por volta dos quatro ou cinco anos, quando ela já repete uma oração curta de memória. O que faz a diferença não é a idade e sim a repetição: a mesma oração, no mesmo momento do dia, com as mesmas palavras.
Qual oração ensinar primeiro para uma criança?
A da hora de dormir, porque acontece sempre no mesmo horário e no mesmo lugar. Duas a quatro linhas bastam: agradecer pelo dia, pedir cuidado durante o sono e lembrar de quem a criança ama.
Com que idade ensinar o Pai Nosso?
Costuma funcionar a partir dos seis anos, memorizado por blocos e não de uma vez. Duas palavras precisam de tradução na hora: 'santificado', no sentido de respeitado e especial, e 'dívidas', no sentido do que se deve por ter errado.
O que dizer quando a criança diz que Deus não respondeu a oração dela?
Reconheça a frustração e não a corrija. É honesto dizer que a oração não obriga Deus a fazer o que se pediu, que a tristeza pode ser dita em oração — vários Salmos são exatamente isso — e que o adulto também não sabe explicar. Não é honesto dizer que faltou fé.
Criança precisa rezar de olhos fechados e mãos juntas?
Não há regra bíblica sobre postura, e as tradições cristãs variam bastante nesse ponto. Mãos juntas e olhos fechados ajudam algumas crianças a se concentrar e atrapalham outras; a postura é um recurso, não um requisito.
Textos bíblicos: Bíblia Livre (BLIVRE), licença Creative Commons Atribuição 4.0 — © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles. Orações, introduções e reflexões: texto original do site, sem vínculo com denominações. Conteúdo devocional; não substitui orientação médica, psicológica ou jurídica.
Leia também
Estudos
Versículos para crianças memorizarem, separados por idade
Dezoito versículos curtos de verdade, agrupados em 3 a 5, 6 a 8 e 9 a 12 anos, com o texto literal e uma frase de explicação em linguagem de criança.
Helena Vasques ·
Estudos
Como ensinar a Bíblia para crianças: o que funciona em cada idade
Tempo de atenção, tipo de história, o que a criança consegue entender e o que ainda não: um guia por faixa etária para pais, catequistas e professores de escola dominical.
Helena Vasques ·
Estudos
Histórias da Bíblia para crianças: 15 histórias e a idade de cada uma
Quinze histórias bíblicas com a idade indicada, o capítulo exato onde cada uma está e um aviso honesto sobre as que têm uma parte pesada que o material infantil costuma apagar.
Helena Vasques ·